CMN e Banco Central anunciam novo modelo de crédito imobiliário com potencial de injetar R$ 111 bilhões no setor
O Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central anunciaram nesta semana um novo modelo para o financiamento imobiliário, com mudanças significativas no direcionamento dos recursos da poupança e na regulamentação do compulsório bancário. A expectativa é que as medidas ampliem o acesso ao crédito, especialmente para famílias de menor renda, e impulsionem a concessão de financiamentos para a casa própria.
O novo modelo permitirá que até 100% dos depósitos em poupança sejam utilizados no crédito imobiliário, a partir da elevação gradual do percentual atual de 65%. Com isso, estima-se que R$ 111 bilhões sejam disponibilizados já no primeiro ano de vigência, dos quais R$ 52,4 bilhões representam um acréscimo em relação ao modelo atual. A implementação completa está prevista para 2027.
Além disso, o valor máximo do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) foi reajustado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, ampliando o acesso aos recursos do FGTS para financiamento, pagamento de parcelas ou amortização.
As novas regras também permitem que até 5% dos saldos da poupança utilizados para crédito habitacional sejam deduzidos do recolhimento compulsório, incentivando os bancos a ampliar sua carteira de crédito. Outra inovação é que o direcionamento do crédito agora será contabilizado com base no valor de contratação da operação e não mais pelo saldo devedor até sua quitação, permitindo maior previsibilidade e estímulo a novas operações.
"Toda iniciativa que fortaleça o mercado imobiliário é extremamente positiva, sobretudo diante da importância do setor para a economia brasileira. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que a construção civil é responsável por cerca de 7% do PIB e emprega diretamente mais de 2,5 milhões de trabalhadores no país. Estimular o crescimento desse mercado atende a uma demanda nossa e é bom para toda a sociedade, pois além de fortalecer a economia e a geração de emprego, também tem impacto social com a diminuição do déficit habitacional”, destacou Márcio Koerich, presidente do Secovi de Florianópolis/Tubarão.
CAIXA
As medidas também foram acompanhadas por iniciativas da Caixa Econômica Federal, que anunciou a retomada do financiamento de até 80% do valor do imóvel pelo SBPE, ante os 70% praticados desde novembro de 2024. Segundo o presidente da instituição, Carlos Vieira, essa mudança deve injetar R$ 20 bilhões no mercado e viabilizar o financiamento de cerca de 80 mil imóveis até o fim de 2026.
As alterações são fruto de um amplo debate entre o governo, setor financeiro e representantes da construção civil, e buscam garantir sustentabilidade ao crédito imobiliário, com redução de juros e maior previsibilidade para os mutuários.
(Fontes: Agência Brasil e Banco Central)